Da Telenovela à Prostituição
O movimento feminista trouxe novas concepções para o papel da mulher na sociedade, conferindo-lhe um estatuto de igualdade e independência face ao sexo masculino, desconceptualizando tradicionais convenções que a colocavam no papel submisso de mãe e dona de casa. A par deste movimento, verificou-se, igualmente, uma reconceptualização da imagem feminina nos meios publicitários, televisivos e cinematográficos. Nos fins do século XX, a mulher transformou-se “numa mercadoria a vender ao mesmo tempo que lhe apagavam o protagonismo e o carácter.”[1] A desejada independência converteu-a num objecto de desejo estereotipado na imagem da femme fatalle, símbolo de sensualidade e sexualidade.
As mentalidades alteram-se e renovam-se num constante processo de adaptação, aceitação e rejeição de novas ideias e com eles novos estereótipos que vão surgindo. Contudo, a evolução e a suposta ruptura com determinadas convenções sociais conservadoristas atingem de modo diferente o indivíduo, sendo, na maior parte das vezes, o seu ambiente social um factor determinante no estabelecimento de equações sociais. Por norma, os meios urbanos aceitam com maior facilidade a mudança, contrastando com os meios rurais, que se insurgem como forças antagónicas ao ciclo da renovação e reciclagem psicológica e social.
Em todas as formas de comunicação mediática, a velha regra logística no cerne da produtividade financeira, impõe o nível de audiências como quantificador de qualidade (sendo isto, obviamente, um conceito polémico e, muitas vezes, absurdo aos olhos dos mais iluminados). Apostando na formula mágica de dar ao público o que este cobiça no seu imaginário, as produções televisivas e, em concreto, as telenovelas, apostam em modelos de beleza feminina que atraem o olhar, instigam o desejo e determinam o sucesso de uma boa intriga. No seguimento desta simples equação, temos as peças jornalísticas, imbuídas crescentemente de um teor sensacionalista que visa atingir o universo emocional do telespectador e satisfazer curiosidades generalizadas. No caso concreto da prostituição brasileira, os jornais televisivos apostam em imagens referentes “à sensualidade, alegria, disponibilidade e exuberância sexual da Mulher brasileira.”[2], sendo estas referências denotadas pela transmissão de peças “tipo vídeo-clip em que predomina a noite e a iluminação indirecta (…) os ambientes sombrios das casas de alterne”.[3]
O negócio parece ser o fio unificador das equações formuladas. Neste sentido, o processo reflexivo conduz-nos para o universo do tráfico de mulheres e prostituição. O caso brasileiro, em Portugal, é dos mais comentados e polémicos e conjuga todos os factores anteriormente descritos. A telenovela brasileira explora o produto disponível: o clima, o ambiente tropical, a sensualidade feminina, o desejo sexual. A sociedade integra conceitos moralistas e estereotipados, sobretudo, nas regiões do interior, onde o modelo feminino se rege no seguinte modelo de mulher - esposa, mãe de família e devota à Igreja. No seguimento do padrão tradicionalista, encontramos o modelo masculino: dominador, autoritário e com liberdade de exercer o seu direito à poligamia. Os traficantes de mulheres, fornecedores de matéria-prima de luxo, a brasileira, elaboram estratégias de implementação em locais em que as convenções permitam a prática da luxúria. Contudo, como aconteceu no passado, as mulheres exercem o seu direito à expressão. O escândalo preenche, então, a programação dos telejornais portugueses. A encenação entra em jogo. No mesmo ciclo de repetição se concretiza o reforço da estereotipação: mulher brasileira, prostituta, destruidora de lares, símbolo da imoralidade.
As repercussões atingem proporções generalistas. O racismo insurge como valor derivado da imagem estereotipada e ciclicamente reforçada. Como todas as formas de racismo, a reflexão perde o sentido e a orientação é intuitiva. A imigração brasileira em Portugal passa a ser sinónimo de prostituição, podendo esta última estar ligada à ilegalidade das mulheres brasileiras no país.
Imagens fictícias criam representações mentais que constroem o real. O real reforça as convenções sociais fruto do imaginário colectivo. Num ciclo, onde o fim é sinónimo de retorno ao princípio, de estagnação, o negócio dita a irreflexão das causas e dos factores por detrás dos fenómenos. Qual a regra de ouro comum na produção televisão, na concepção de telenovelas, no tráfico de mulheres e na prostituição? O sucesso transcrito no ganho financeiro!
Helena Afonso nº 22172
Sónia Martins nº 21827
Vera Santos nº21372
[1] FERIN, Isabel - Da telenovela à prostituição in Media & Jornalismo, 2004, p. 66.
[2] Ibidem, p. 78.
[3] Ibidem.
Imagens fictícias criam representações mentais que constroem o real. O real reforça as convenções sociais fruto do imaginário colectivo. Num ciclo, onde o fim é sinónimo de retorno ao princípio, de estagnação, o negócio dita a irreflexão das causas e dos factores por detrás dos fenómenos. Qual a regra de ouro comum na produção televisão, na concepção de telenovelas, no tráfico de mulheres e na prostituição? O sucesso transcrito no ganho financeiro!
Helena Afonso nº 22172
Sónia Martins nº 21827
Vera Santos nº21372
[1] FERIN, Isabel - Da telenovela à prostituição in Media & Jornalismo, 2004, p. 66.
[2] Ibidem, p. 78.
[3] Ibidem.

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