sábado, abril 23, 2005

coitada! tá doentinha!

Venho por este meio prestar respeito a alguém que conviveu connosco muitos anos, mas que agora se encontra numa fase descendente da sua existência. Refiro-me à cultura de massas, cujo estado de saúde se tem vindo a deteriorar, principalmente por o seu sistema imunitário fraquezar perante o vírus da cibercultura.

Alguns médicos defendem que a cultura de massas, apesar das dificuldades, vai conseguir sobreviver. Contudo parece-me a mim que a TV Digital encarna um forte revés para os diagnósticos mais optimistas. Se é verdade que a televisão não é o único instrumento de massificação cultural, também não deixa de ser verdade que esta é uma das formas mais eficientes de padronizar comportamentos e atitudes, dado o elevado número de audiências e o tempo gasto pelos telespectadores em frente ao televisor. Para além disso a cibercultura tende a estender-se aos mais diversos meios.

Pois bem, a TV digital vem-nos dar poder enquanto consumidores de programação televisiva. O aumento da interactividade proporciona a personalização de conteúdos. As bases para que isso acontença estão lançadas, mas o telespectador terá que as agarrar. Pois tal como nos diz Ana Vitória Joly, no seu artigo A Interactividade na Televisão Digital - Um Estudo Preliminar, "a interactividade apenas acontece quando o telespectador deixa de ser passivo e passa a ser activo em relação à televisão".

Perante isto, o individualismo tem pela frente tempos favoráveis. Não um individualismo associado à solidão, mas um individualismo associado à liberdade.

As melhoras para a cultura de massas. Ou não!?