segunda-feira, abril 25, 2005

Potencialidades e perigos da TV interactiva

Uma colega referiu-se à televisão interactiva como a «Televisão Pessoal». De facto, a interactividade neste medium pode ser uma forma de escapar à "tirania" da programação imposta pelos canais televisivos; a interactividade dá a sensação de controlo perante a programação e permite-nos ter uma TV feita "à nossa medida".
Por outro lado, considero que a interactividade também tem aspectos negativos: o principal parece-me ser o isolamento. Actualmente, a televisão ainda é um factor de socialização: falamos do jornal que vimos, do filme, da novela, do debate. E com a televisão interactiva e «pessoal»? Do que é que falamos quando cada um assistir a um programa diferente, que possivelmente mais ninguém viu?
Na televisão que temos às vezes "não dá nada de jeito". Então desligamos a TV e dedicamo-nos a outras actividades mais ou menos culturais. Quando estiver sempre a dar "alguma coisa de jeito" será que vencemos a inércia do sofá e do comando na mão para nos dedicarmos a outras actividades?
Estas são apenas algumas das questões levantadas depois de uma análise superficial das potencialidades desta nova forma de interactividade nos media.
Há que estar atento aos perigos dos novos media. Embora eles apresentem possibilidades quase ilimitadas no que respeita à comunicação, à informação e ao entretenimento, devemos sempre manter uma postura crítica perante os avanços tecnológicos sob pena de nos tornarmos dependentes à semelhança do que aconteceu com os telemóveis ou com a Internet.
Há que explorar as potencialidades dos novos media, mas para escapar aos "perigos" nada como uma utilização responsável desta nova vertente da televisão que, com certeza, tem muito para oferecer ao público.