quarta-feira, abril 27, 2005

Telemóvel, o bichinho dos sete ofícios

Inicialmente, os telemóveis revolucionaram a era das telecomunicações pelas suas vantagens comunicacionais, uma vez que qualquer detentor de telemóvel podia entrar em contacto com quem quer que fosse, sem que para isso dependesse de qualquer fio de ligação. Esta primeira inovação foi encarada, por muitos consumidores, como uma mais valia que viria a resolver e facilitar contactos frequentes, sem impedimentos e que resolveria muitos dos problemas com que nos debatemos, como por exemplo, em caso de acidente, avaria, entre outras eventuais situações que elevaram os telemóveis a um bem essencial.
Com o passar dos tempos, os telemóveis foram-se aperfeiçoando, bem como os seus serviços. Neste sentido, foram-se desenvolvendo vários modelos, com as mais diversas funções, diferentes tarifários, com a possibilidade de enviar mensagens, de tirar e enviar fotografias, ouvir música, entre outras inovações que foram surgindo, de modo a satisfazer as necessidades dos diferentes fragmentos do mercado.
Quando as potencialidades dos telemóveis pareciam esgotadas, dá-se uma nova revolução: as empresas começam a apostar nos telemóveis como veículos úteis na difusão de imagens televisivas, como por exemplo, imagens de jogos de futebol que podem ser visionadas através deste pequeno aparelho, receber mensagens sobre determinados acontecimentos televisivos, entre outras possibilidades que a complementaridade estabelecida entre a televisão e o telemóvel oferecem actualmente. Estas são algumas das formas que levam ao extremo a máxima da sociedade da informação que defende a rapidez como uma das melhores armas contra a concorrência. Assim sendo, a rapidez da informação aliada à interactividade que se pode estabelecer entre os espectadores e a televisão, através do telemóvel, mediante o envio de mensagens, tornou-se numa das principais estratégias de fidelizar e cativar consumidores.
Mas afinal qual é o papel do telemóvel na sociedade? Pois…nós também já não sabemos…este pequeno aparelho que era encarado de forma tão linear tornou-se num bichinho de sete ofícios porque dá para quase tudo, ver filmes, mandar mensagens, falar, tirar fotografias, ouvir música, jogar aos mais diversos jogos, ficar a par das últimas novidades, aceder à Internet, enfim…será quase dizer que quem tem um telemóvel tem tudo.
No entanto, temos que nos interrogar sobre o porquê de tantas ofertas. Se os telemóveis têm os seus aspectos práticos e úteis para nós, enquanto utilizadores, temos que reflectir um pouco sobre as vantagens que estas ofertas dão às empresas. Por um lado, nós ficamos a par de tudo o que se passa, mas por outro lado eles ficam a ter acesso a dados pessoais muito importantes, como as nossas preferências, interesses, entre outras características que podem ser usadas em estudos de mercado, de forma a analisar as novas tendências, ou ainda em estudos personalizados que definam os perfis dos utilizadores, no intuito de criar novas ofertas.
Por tudo isto vale a pena pensar…

Cláudia Guerreiro nº 19487
Filipa Moreira nº 22558